Os altos e baixos do SEO em junho de 2025
- Juliana Melo
- 14 de jul.
- 16 min de leitura
Atualizado: 21 de ago.
Atualizações no algoritmo do Google, volatilidade das SERPs, novas evidências dos impactos das IAs e flutuações sazonais estão entre os fatores que mais afetaram a performance dos sites no mês de junho. Para quem investe em otimização, a adaptação ao novo cenário das buscas é urgente.
Highlights
Core update de junho traz instabilidade para as páginas de resultados;
Fenômeno do “Grande Desacoplamento” mostra a necessidade de reavaliar as antigas métricas de performance;
Nichos fortemente associados a conteúdos de natureza informacional são os principais afetados pela expansão da Visão Geral criada por IA e pelas novas tendências comportamentais;

Uma coisa é certa: junho foi cheio de emoções intensas pra quem trabalha com SEO.
Se você é responsável por acompanhar a performance de um site na web, talvez tenha notado alguns fenômenos “misteriosos” aí nos seus painéis de dados.
Pois é, o sexto mês de 2025 já começou com bastante instabilidade no posicionamento de resultados da Pesquisa Google… e terminou com mais uma atualização principal dos algoritmos de ranqueamento!
E não acaba por aí. Os grandes destaques de junho também incluem problemas (no plural mesmo!) de indexação que afetaram tanto os usuários do Google quanto os proprietários de sites.
Isso sem falar, é claro, nos efeitos da poderosa sazonalidade e nos impactos cada vez mais visíveis das inteligências artificiais na experiência de busca. Assuntos que já apareceram na edição anterior do nosso levantamento, o Relatório de Altos e Baixos de Maio.
Quer saber mais? Então pode continuar a leitura. Aqui, a gente vai detalhar alguns dos principais acontecimentos que agitaram o mundo do SEO em junho. Além disso, também vamos explorar as movimentações mais relevantes da cena nacional, incluindo análises exclusivas sobre os nichos da web brasileira que mais saíram ganhando (e os que mais perderam fôlego) em junho.
Confira, a seguir:
Panorama: entenda o que está rolando no universo das buscas
Sabe aquela sensação de olhar pro céu quando ele tá começando a nublar e saber na hora que tem chuva vindo?
Então, junho começou mais ou menos assim para especialistas em SEO e proprietários de sites do mundo todo. Só que, nesse caso, o céu nublado foi a instabilidade da Pesquisa Google!
Entre a última semana de maio e os primeiros dias de junho, muita gente registrou mudanças agressivas na classificação dos resultados do maior buscador do mundo: variações inesperadas no ranqueamento dos sites apareceram aos montes nos relatos e discussões que rolaram nos fóruns de SEO e nas redes sociais.
Esse monte de alterações bruscas e imprevisíveis nas SERPs (páginas de resultados) é o que caracteriza a famosa volatilidade. E dá pra dizer que junho foi um mês especialmente volátil – como mostra o gráfico abaixo –, o que despertou bastante burburinho na comunidade de SEO: há quem diga até que o Google andou atualizando os algoritmos de ranqueamento “na encolha”.

Gráfico de volatilidade dos rankings da Pesquisa Google na plataforma CognitiveSEO(dados globais)
Os rumores sobre uma possível atualização extra-oficial (não confirmada pelo Google) deixaram muita gente em estado de alerta. Alguns analistas também levantaram a hipótese de que aquela volatilidade toda seria um prenúncio de uma mudança mais profunda nos algoritmos... tipo o céu fechando antes da chuva.
Mas a “tempestade” só chegou mesmo no final do mês: no dia 30 de junho, o Google anunciou o início de sua segunda atualização principal de 2025.
O core update de junho veio pra intensificar ainda mais a volatilidade das SERPs. Segundo a Dashboard de Status do buscador, ele deve durar cerca de três semanas – o que significa que a instabilidade na classificação dos resultados continuará se estendendo pelo mês de julho –.
Apesar de ter causado “rebuliço” na comunidade de SEO, essa nova atualização principal nem foi o único evento registrado na Dashboard de Status em junho.
Parece que o dia 12 foi especialmente agitado pros times de contenção de danos do Google, já que um problema na indexação de novas páginas fez com que os conteúdos recém-publicados ficassem de fora dos resultados de buscas por mais de 5 horas. Os portais jornalísticos foram os mais afetados, já que o problema dificultou que as notícias fossem encontradas pelos usuários em tempo real.
No mesmo dia, alguns recursos especiais do Google também enfrentaram “tropeços”: a companhia confirmou problemas no funcionamento do Google Lens, do Discover e do Voice Search (pesquisa por voz). Para a felicidade dos usuários (e dos proprietários de sites), a situação foi resolvida dentro de duas horas e meia.
A possível “desindexação em massa” também entrou na lista de preocupações dos especialistas em SEO durante o mês de junho: muita gente compartilhou indicadores que mostraram milhões de páginas sendo removidas do banco de dados do buscador sem motivo aparente.
Em resposta aos questionamentos da comunidade, John Mueller – Mediador da Pesquisa Google e porta-voz da companhia – participou de algumas conversas nas redes sociais. Em uma discussão no Bluesky, ele publicou: “[...] Eu não vejo como um problema técnico vindo do nosso lado (e nem do lado de nenhum dos sites afetados). Nossos sistemas passam regularmente por ajustes em relação ao que é rastreado e indexado. Isso é normal e esperado” (tradução livre).
Além disso, o mundo do SEO também vem sendo balançado pelas discussões acerca do fenômeno batizado pelos especialistas como “the Great Decoupling” (“o Grande Desacoplamento”, em português).
O conceito surgiu para nomear uma das várias transformações trazidas para as buscas pelas grandes estrelas do momento. É claro que estamos falando das inteligências artificiais, de novo.
Não é novidade que as IAs vêm mudando o cenário das pesquisas. Dá pra dizer que elas vieram pra revolucionar a própria relação entre os usuários, as informações e as páginas web. Atualmente, a maior parte das discussões sobre esse assunto gira em torno dos AI Overviews, recurso da Pesquisa Google que exibe respostas geradas automaticamente para as solicitações dos usuários.
Você já sabe que os famosos resumos de “Visão Geral criada por IA” – como são conhecidos no Brasil – aparecem logo no início das SERPs, acima dos resultados patrocinados e orgânicos.
Essas respostas generativas trazem um apanhado de informações disponíveis na web sobre o tema pesquisado. Assim, em muitos casos, a intenção de busca do usuário é satisfeita na própria página de resultados. Em outras palavras, as pessoas encontram o que buscam no resumo de Visão Geral e acabam nem clicando nos resultados orgânicos.
A consequência é que muitos sites vêm perdendo tráfego desde a expansão do AI Overviews – já existem vários estudos que mostram como a busca generativa tem prejudicado as taxas de cliques das páginas –. Mas o curioso é que esses mesmos sites estão registrando um número crescente (ou inalterado) de impressões, apesar da queda nos cliques.
Um bom exemplo aparece na postagem feita por Sankarnarayan R., fundador da agência digital ColorWhistle, em seu perfil no LinkedIn:

“Dados de performance dos últimos 16 meses. As impressões mais do que dobraram. Os cliques estão caindo continuamente, principalmente desde o último trimestre de 2024. Alguém tem notado algo parecido?” (tradução livre)
A gente explica: no SEO, as impressões correspondem ao número de vezes em que uma determinada página aparece como resultado de pesquisas. Quando as impressões do seu site aumentam, isso significa que mais conteúdos seus passaram a ser exibidos pelo Google.
Se as suas páginas conquistaram um espacinho nas listas de resultados associados a determinados termos de pesquisa, você pode dizer que “ganhou palavras-chave orgânicas”.
Aí é que tá: um dos primeiros aprendizados do “bê-a-bá da otimização” é que quanto mais palavras-chave orgânicas você ganha, maior é o alcance dos seus conteúdos e, consequentemente, maior deve ser o número de usuários que acessam o seu site por meio das buscas.
Resumindo: mais impressões geralmente significam mais cliques.
O que observamos atualmente, entretanto, é que o AI Overviews mudou completamente essa suposição “clássica” do SEO. Como os resumos generativos fazem as pessoas clicarem cada vez menos nos resultados orgânicos, muitos sites estão ganhando impressões e perdendo cliques ao mesmo tempo.
Essa relação inversamente proporcional entre as duas métricas é justamente o que os especialistas têm chamado de desacoplamento.
Como você está prestes a descobrir, o fenômeno do Great Decoupling já atingiu a performance de muitos sites aqui no Brasil, incluindo alguns dos domínios pertencentes aos nichos “perdedores” do último mês, que vamos analisar daqui a pouco.
Como este relatório é construído?
Antes de mergulhar nos dados brutos, tem algo que vale ser destacado: a forma como a gente categoriza os sites neste relatório faz toda a diferença.
Tudo começa com a base de dados do Semrush, mais especificamente o relatório de ganhadores e perdedores por domínio. O foco principal aqui é o tráfego estimado – ou seja, um número que não representa os acessos reais, mas funciona como uma boa métrica correlacionada para observar tendências e mudanças de comportamento nas buscas.
Depois disso, entra em cena a inteligência artificial. Cada domínio é avaliado por um modelo de IA que faz a categorização inicial e, em seguida, validado por outro modelo – um “segundo par de olhos” automatizado que ajuda a garantir mais consistência no processo. Isso nos permite organizar os dados por nichos e enxergar além das variações individuais: conseguimos identificar movimentos mais amplos, padrões e possíveis sinais do que está por vir.
Para deixar o processo mais ágil sem comprometer a qualidade da leitura, a gente também faz um filtro para focar nos domínios mais relevantes – aqueles que, de fato, ajudam a contar uma história sobre o cenário atual das buscas. E, embora a análise priorize a variação mensal (MoM), também temos estrutura para comparar os dados ano a ano (YoY), sempre que for necessário.
No fim das contas, nosso objetivo é simples: transformar números em contexto. Porque no mundo do SEO, olhar para os dados certos com a lente certa faz toda a diferença.
É isso que transforma dados em inteligência.
Categorias vencedoras da web brasileira
Apesar de todos os fatores complexos abordados ali em cima, no nosso panorama, alguns domínios fecharam o mês de junho com um aumento no tráfego (em comparação com os dados do levantamento anterior).
Isso impulsionou o crescimento de alguns nichos específicos da web brasileira. São as categorias que chamamos de “vencedoras”.
A seguir, você confere o ranking das categorias que mais ganharam força no cenário nacional ao longo das últimas semanas. Também falaremos em mais detalhes sobre o que pode ter influenciado a performance de três desses nichos.
Clima
Depois de vários meses registrado quedas no tráfego, a categoria Clima deu uma “volta por cima” em junho.
Com um aumento significativo de mais de 11 milhões de visitas, o nicho é liderado pelo portal Climatempo e inclui também outros sites conhecidos como referências em previsões meteorológicas.
Parece que o sol finalmente brilhou para a categoria Clima (com o perdão do trocadilho).
E esse sucesso pode estar relacionado com a famosa sazonalidade: a transição entre o outono e o inverno fez o tempo mudar em muitas partes do Brasil. Talvez você esteja sentindo mais frio ou enfrentando chuvas com mais frequência aí na sua cidade. E talvez já tenha até pesquisado no Google para ficar por dentro das previsões.
Isso é exatamente o que muita gente está fazendo. A demanda por informações sobre aspectos como temperaturas e expectativa de chuvas aumentou bastante nas últimas semanas – e o tráfego dos portais focados nesse tipo de conteúdo aumentou junto –.
Tudo indica que os próprios algoritmos do Google perceberam essa variação sazonal no interesse do público e passaram a priorizar páginas que atendam a essas necessidades informacionais na hora de ranquear os resultados de algumas buscas.
Na pesquisa pelo termo “clima”, por exemplo, a primeira posição da SERP foi ocupada pela Wikipédia por muito tempo (no caso, por uma página que explica o significado da palavra).
Mas, agora, os usuários que buscam por essa palavra-chave dificilmente desejam encontrar um artigo que fala sobre o conceito de “clima”. Eles querem informações em tempo real sobre as condições climáticas e as mudanças de tempo no local onde estão.
É possível que os algoritmos de ranqueamento do Google já tenham identificado essa relação de relevância movida pela sazonalidade – o que talvez explique o fato de que a Wikipedia perdeu o primeiro lugar para o Climatempo na SERP da palavra-chave “clima” –.
Vale mencionar que essa é uma das categorias mais afetadas pelo fenômeno das Zero Click Searches (“buscas sem clique”), que começou com os snippets em destaque e se intensificou com o AI Overviews. O Google até tem um recurso de pesquisa aprimorada que mostra informações sobre a previsão do tempo nas próprias SERPs, em painéis como o que você vê abaixo.

Recurso de busca aprimorada exibido na SERP da palavra-chave “clima”
O que acontece é que os sites da categoria Clima acabaram “driblando” os efeitos da tendência zero click dessa vez. No momento, as pessoas têm buscado por dados altamente específicos, em tempo real e localizados ("radar de chuva para meu bairro" ou "índice de radiação solar na cidade ‘X’ hoje").
Essas informações dinâmicas e granulares são melhor fornecidas por plataformas especializadas em monitoramento do clima – como os sites da nossa categoria vencedora –. Isso sem falar no fato de que os portais trazem recursos visuais (como mapas meteorológicos) que não podem ser totalmente replicados por resumos de IA e nem incluídas nos recursos de busca aprimorada.
Isso leva os usuários a clicarem nos resultados para acessar o conteúdo completo.
Resumindo: uma Visão Geral de IA ou um painel na SERP podem informar que "está chovendo", mas os usuários frequentemente precisam saber onde, quanto e por quanto tempo, ou ver um radar com informações visuais. E essas necessidades específicas são melhor atendidas pelos sites do nicho Clima.
Esportes
Continuando a trajetória de ascensão que já apareceu em alguns dos nossos levantamentos anteriores, a categoria Esportes continuou ganhando tráfego no mês de junho.
O aumento na visibilidade do nicho é explicado por razões muito similares às que abordamos no nosso Relatório de Altos e Baixos de Maio – mais especificamente, na seção que fala sobre a categoria Notícias e Mídia –.
Mais uma vez, a sazonalidade tem um papel importantíssimo: junho foi um mês marcado por eventos importantes que impactaram o universo dos esportes no mundo inteiro. É o caso de grandes torneios internacionais de futebol, como a Copa América e o Campeonato Europeu da UEFA (Euro).
Isso sem falar na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, campeonato que veio com um novo formato e reuniu equipes de vários países do mundo. Alguns times do Brasil que participaram da competição foram vitoriosos nas partidas contra times europeus muito tradicionais. Como era de se esperar, isso mobilizou bastante os torcedores brasileiros e gerou muitas buscas, é claro.
Aqui, acontece algo mais ou menos parecido com o que impulsionou a categoria Clima: os usuários que estão pesquisando sobre esportes têm necessidades que os resumos de IA e outros recursos do Google não conseguem atender completamente.
Nesse nicho, a demanda é por conteúdos atualizados em tempo real, análises detalhadas das partidas e oportunidades de interação com outros fãs. Os usuários querem acompanhar comentários de especialistas, narrações ao vivo, perfis de atletas nas redes sociais, entrevistas pós-jogo, mensagens de chats, seções de comentários, rumores sobre o futuro dos times… Enfim, tudo que só uma plataforma dedicada especialmente a conteúdos esportivos é capaz de oferecer com maestria.
Esse é um nicho da web que se alimenta do imediatismo, do engajamento ativo e do envolvimento emocional dos usuários. Os AI Overviews e os recursos de visualização do Google são capazes de exibir o placar de um jogo, mas não podem reproduzir a experiência que é acompanhar esportes.
O sucesso dos sites que aparecem no top 5 da categoria é resultado da poderosa combinação entre sazonalidade e autoridade: os grandes veículos de mídia esportiva (como o portal do canal ESPN e das federações oficiais) se beneficiam do forte reconhecimento de marca, principalmente em períodos de sazonalidade favorável. São domínios reconhecidos como fontes confiáveis de informação, sites bem estabelecidos e considerados como referências em conteúdo de qualidade.
E esse reconhecimento não vem só dos usuários: a autoridade sólida é um dos fatores que o Google considera em seus algoritmos de classificação.
Direito e Governo
A categoria Direito e Governo inclui sites de prefeituras, órgãos públicos, programas governamentais e várias outras entidades e serviços que marcam presença no dia a dia de muitos brasileiros. Se você tem uma Carteira Nacional de Habilitação, por exemplo, provavelmente já acessou algum site do DETRAN.
Em junho, esse nicho registrou um crescimento robusto, com uma diferença de 6.501.137 no tráfego orgânico.
Nesse caso, uma das razões que se destacam é o sucesso das festividades de São João: alguns sites oficiais de prefeituras ganharam muitos acessos devido ao forte impacto cultural que as festas juninas têm em algumas partes do país – especialmente nas regiões Norte e Nordeste –.
A cidade baiana de Feira de Santana é um exemplo de lugar que movimenta um número gigantesco de pessoas durante as celebrações tradicionais de junho, com direito a shows, eventos e festivais grandiosos. Na web, isso aumenta bastante a demanda por informações específicas sobre as opções de entretenimento junino abertas ao público (como programações de apresentações culturais, horários de festas etc).
Em contrapartida, outro cenário chama a atenção nas análises referentes ao nicho Direito e Governo: a alta incidência de sites dessa categoria que sofrem invasões e outros tipos de ações fraudulentas.
Estamos falando de páginas de sites governamentais que são atacadas e modificadas para veicular conteúdos de origem duvidosa. Elas permanecem com URLs ativas, mas esses endereços passam a incluir termos sobre futebol, apostas online e outros assuntos que não têm nada a ver com os portais.
O objetivo dessas ações criminosas é atrair os usuários e fazer com que eles compartilhem informações sensíveis, como dados bancários e outras informações pessoais. Esse golpe é conhecido como phishing, e acontece com uma frequência chocante em sites governamentais (principalmente por causa de fragilidades na segurança).
Por pertencerem a órgãos públicos oficiais, esses portais geralmente são vistos como confiáveis pelo Google. Eles tendem a acumular bastante autoridade, o que faz com que se destaquem facilmente entre os resultados de busca. É justamente por isso que os golpistas escolhem essas plataformas para invadir. As páginas fraudulentas infiltradas em portais oficiais conseguem “confundir” os algoritmos do buscador e conquistar ótimas posições nos rankings.
Infelizmente, muitas pessoas são “fisgadas” por esse tipo de crime cibernético… e parece que, às vezes, os acessos desses usuários acabam contribuindo para os dados de performance
Categorias perdedoras
Enquanto alguns nichos conquistaram mais acessos em junho, outros fecharam o mês “no vermelho”. Essas são as categorias “perdedoras”, que registraram quedas significativas no tráfego orgânico em comparação ao levantamento anterior.
A seguir, você confere o ranking dos nichos que mais perderam fôlego na web brasileira e as análises detalhadas sobre a performance de alguns deles.
Notícias e Mídia
Em oposição à trajetória de crescimento que vinha apresentando nos relatórios anteriores, a categoria Notícias e Mídia saiu do ranking dos vencedores em junho. Dessa vez, ela se destacou por uma perda massiva de tráfego orgânico, com uma redução de mais de 27 milhões de visitas.
A queda da categoria pode ter sido consequência de um “efeito rebote”: se você conferiu a edição de maio do nosso Relatório de Altos e Baixos, deve se lembrar de que o nicho Notícias e Mídia vinha colhendo bons frutos por causa da sazonalidade.
Afinal, ele é composto principalmente por grandes portais generalistas, que agregam notícias sobre diversos temas – incluindo o universo esportivo, que está muito em alta nos últimos meses –. Aliás, muitos desses domínios têm espaços dedicados especialmente a conteúdos sobre esportes (é o caso do subdomínio ge.globo.com, do Portal Globo).
Em outras palavras, os sites de Notícias e Mídia conseguiram surfar na onda do interesse sazonal em maio. Mas, como toda onda quebra… as notícias foram deixando de ser relevantes e os portais perderam posições em palavras-chave com grandes volumes de busca.
Também é possível que a categoria – assim como tantas outras – esteja sofrendo os impactos da expansão dos AI Overviews, já que os sites que pertencem a ela são de natureza majoritariamente informacional. E, como você já sabe, o que os resumos da Visão Geral fazem é justamente sintetizar informações e exibi-las na SERP.
Portanto, é de se esperar que as páginas informacionais sejam as mais afetadas pela presença crescente desses recursos de pesquisa generativa.
Isso sem falar, é claro, nas novas tendências comportamentais dos usuários: atualmente, muita gente tem recorrido diretamente a ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT para obter respostas e atualizações rápidas, desviando ainda mais o tráfego dos sites de notícias tradicionais.
Redes Sociais e Comunidades Online
Pelo segundo mês consecutivo, a categoria Redes Sociais e Comunidades Online registrou declínio no tráfego orgânico. Dessa vez, a diferença foi de 7.044.867 acessos a menos.
Os motivos por trás da queda provavelmente são os mesmos do mês anterior. Como explicamos no nosso Relatório de Altos e Baixos de maio, redes sociais (como Instagram e Tik Tok) se baseiam inteiramente no UGC, o famoso conteúdo criado por usuários.
Isso significa que o tráfego orgânico que essas plataformas obtêm a partir das pesquisas web é sempre muito sensível à volatilidade. Qualquer mínima mudança na configuração das SERPs é suficiente para afetar a performance dos sites da categoria: se as páginas de resultados de repente passam a exibir menos snippets de mídia, por exemplo, as redes sociais já perdem muitos acessos.
Além disso, a mudança no comportamento dos usuários também exerce uma influência aqui. As redes sociais têm recebido menos tráfego por meio dos buscadores porque são cada vez mais utilizadas como mecanismos de pesquisa autônomos: hoje em dia, muita gente faz buscas dentro do próprio Instagram ou do Tik Tok, por exemplo, sem passar pelo Google durante a jornada.
O padrão de "ganhar palavras-chave, mas perder tráfego" sugere que, embora o buscador continue indexando os conteúdos presentes nas redes sociais, o potencial de tráfego dessas listagens é diminuído porque os usuários encontram o que precisam dentro dos ecossistemas de mídias sociais ou por meio de outras ferramentas.
Publicações e Impressão
A categoria Publicações e Impressão é composta principalmente por blogs, sites de revistas e editoras, portais dedicados à publicação de artigos e ferramentas de produção acadêmica.
Assim como na categoria Notícias e Mídia, os sites pertencentes a esse nicho são quase inteiramente informacionais. Portanto, eles veiculam conteúdos muito suscetíveis aos efeitos das Visões Gerais de IA. O mesmo fenômeno de zero click searches que já mencionamos outras vezes por aqui.
Como você já sabe, isso leva diretamente a taxas de cliques reduzidas, já que as necessidades informacionais dos usuários são atendidas diretamente na SERP.
Estamos falando de sites que produzem grandes quantidades de conteúdo informacional baseado em texto – exatamente o tipo de material usado como fonte nos resumos de IA –. As respostas generativas fornecem versões “mastigadas” das informações ligadas aos temas pesquisados, eliminando o trabalho de curadoria que geralmente ficaria por conta dos usuários. Se uma consulta pode ser respondida na própria página de resultados por um resumo conciso, as pessoas não têm incentivos para explorar as fontes originais.
Se um usuário pergunta "o que é X?", por exemplo, e a IA fornece uma resposta minimamente satisfatória, ele tende a desistir de clicar nos artigos e posts dos quais as informações foram retiradas, mesmo quando esses conteúdos são indicados como fontes.
Nas consultas informacionais, a jornada de pesquisa vem se tornando cada vez mais baseada nas respostas automáticas e instantâneas das IAs. Isso elimina a trajetória de aprofundamento que costumava render acessos para os sites da categoria Publicações e Impressão. Tudo indica que as editoras e portais de publicação precisarão repensar suas estratégias para criar conteúdos que atraiam os cliques.
Ainda que tenhamos trazido esta contextualização, vale frisar que a queda da categoria foi, basicamente, puxada inteiramente pelo portal do Grupo Abril.
Conclusão
Mais uma vez, o nosso Relatório de Altos e Baixos evidencia o que a gente sempre diz por aqui: as flutuações de tráfego são sempre resultados de uma interação complexa entre vários fatores.
Atualizações nos algoritmos do Google, tendências sazonais, mudanças no comportamento dos usuários e a evolução acelerada das inteligências artificiais são apenas alguns dos aspectos que impactam o trabalho de SEO.
Na prática, os últimos levantamentos mostram que o bom desempenho nos fatores E-E-A-T (Experience, Expertise, Authoritativeness and Trustworthiness) continua sendo o grande pilar do sucesso na jornada de otimização. “Experiência”, “Especialidade”, “Autoridade” e “Confiabilidade” são as palavras de ordem para quem deseja crescer organicamente: sites que se alinham a esses princípios tendem a sofrer menos impactos negativos ligados às atualizações principais e outras mudanças algorítmicas.
O fenômeno do “Grande Desacoplamento” e os demais efeitos – cada vez mais acentuados – da ascensão das IAs mostram que a nova realidade das buscas exige uma revisão dos conhecimentos “tradicionais” do SEO. No cenário das pesquisas generativas, métricas como impressões e CTR vêm mudando de peso nas análises de performance.
Agora, o trabalho de otimização ganha novos objetivos estratégicos: em vez de simplesmente classificar as páginas para as SERPs de mais palavras-chave, os sites precisam ganhar a atenção das IAs para conquistar menções dentro dos resumos automáticos.
Os AI Overviews parecem ser a nova “posição zero”, e os conteúdos precisam ser pensados para funcionar bem nesse contexto. Essa mudança de paradigma já tem até nome: Otimização de Mecanismos Generativos (GEO), o “novo SEO”.
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