Retrospectiva: os altos e baixos do SEO em 2025
- Juliana Melo

- há 2 dias
- 18 min de leitura
2025 foi um ano de virada para o SEO. A explosão da busca generativa, a expansão do AI Mode e a nova cara das SERPs mudaram, na prática, a forma como usuários descobrem conteúdos… e como sites conquistam ou perdem visibilidade. Nesta retrospectiva especial, passamos pelos altos e baixos que marcaram as buscas nos últimos meses e analisamos as categorias que mais cresceram (e caíram) entre janeiro e dezembro.
Highlights
AI Overviews e AI Mode mudaram o jogo da visibilidade orgânica, acelerando o fenômeno das buscas sem clique e redefinindo o valor do tráfego;
SERPs mais fragmentadas e multimodais: menos links azuis, mais resumos automáticos, carrosséis, vídeos, UGC e resultados contextuais;
Core updates e spam updates mais rigorosos reforçaram a importância de qualidade, originalidade e autoridade real;
Categorias vencedoras de 2025 se beneficiaram das experiências digitais que as IAs não conseguem replicar;
Nichos fortemente informacionais e de temas YMLM (Your Money, Your Life) enfrentam novos desafios no ecossistema das buscas;
O clique deixou de ser o único indicador de sucesso: presença, confiabilidade, utilidade e reconhecimento de marca nunca foram tão importantes;
Olhar para 2026: o futuro do SEO passa por experiência real, diferenciação de conteúdo, autoridade temática e integração com múltiplos canais.

Para quem trabalha com SEO, uma coisa é certa: 2025 foi um ano cheio de viradas importantes para o universo das buscas online.
Ao longo dos últimos meses, especialistas em otimização e proprietários de sites acompanharam uma série de transformações que foram muito além dos rankings de resultados. Não é exagero dizer que a própria experiência de busca entrou em uma nova era (e as estratégias de SEO também!).
Com a consolidação das pesquisas generativas, a onipresença das inteligências artificiais na web e as novas tendências comportamentais globais, veio a necessidade de redefinir as ideias clássicas de visibilidade orgânica: agora, números de cliques e rankings já não servem como os indicadores máximos de performance nas buscas. Teve até gente dizendo que o SEO estava morto… mas é claro que a gente discorda.
É por isso que fizemos questão de monitorar tudo isso de perto e analisar a fundo os movimentos que afetaram o cenário brasileiro das buscas a cada mês. Se você vem acompanhando os Relatórios de Altos e Baixo da Wesearch, com certeza sabe por que 2025 foi um divisor de águas tão importante. E, agora, chegou o momento de fazer o balanço completo desse ano cheio de transformações!
Pra este Relatório Anual Especial, preparamos um passeio pelos principais movimentos que moldaram o SEO em 2025, passando pelos impactos das IAs na busca e por vários outros fatores que influenciaram as SERPs ao longo do ano. Tem também uma retrospectiva dos momentos mais marcantes mês a mês, e, claro, uma análise aprofundada das categorias da web que mais ganharam e mais perderam visibilidade orgânica entre janeiro e dezembro.
Quer começar 2026 com tudo? Então vem com a gente conferir:
IA, busca generativa e o novo cenário do SEO em 2025
Em 2025, a inteligência artificial foi o tema que dominou completamente os portais de notícias, as redes sociais, as pesquisas acadêmicas… e, é claro, a comunidade global de SEO!
Afinal, o avanço rápido das pesquisas generativas fez com que os mecanismos de busca se transformassem em ambientes cada vez mais mediado por respostas automáticas, resumos, sugestões contextuais e interações conversacionais. Em outras palavras, a própria forma de procurar e acessar informações mudou radicalmente.
Os AI Overviews, a consolidação do AI Mode e a integração cada vez mais direta entre busca e modelos generativos o conceito de boa posição nas buscas. Em 2025, a “corrida do ouro” da visibilidade orgânica passou a incluir esforços incansáveis para chamar a atenção das IAs: agora, ganhar uma menção entre as fontes dos resumos automáticos é como conquistar o primeiro lugar.
Foi justamente para acompanhar essa transição que a gente desenvolveu o Guia de SEO e IA, que foi atualizado várias vezes ao longo do último ano pra acompanhar a enxurrada de mudanças e novidades que as inteligências artificiais vêm trazendo para a web. A seguir, você confere alguns dos destaques que cobrimos no nosso Guia em 2025.
As principais mudanças da IA nas buscas em 2025
Expansão dos AI Overviews: os resumos automáticos do Google passaram a aparecer com mais frequência e a cobrir um número maior de intenções de busca. Em 2025, a ferramenta chegou a mais de 120 países, em 11 idiomas diferentes.
Lançamento e crescimento do AI Mode: o sofisticado recurso de busca conversacional do Google deixou de ser apenas um experimento do Labs e passou a estar disponível para usuários do mundo todo, com direito a capacidades agênticas cada vez mais refinadas. Em setembro de 2025, o Modo IA chegou ao Brasil.
Evolução do Gemini: nos últimos meses, o modelo de linguagem do Google passou por múltiplas atualizações, incluindo o lançamento do Gemini 2.5 e do Gemini 3. A IA também ganhou novas capacidades de raciocínio aprofundado graças ao Deep Research.
Geração de imagens e vídeos: foi lançado o Nano Banana Pro, modelo generativo de criação visual impulsionado pelo Gemini 3. Já o Veo, ferramenta de geração de vídeos do Google, teve sua capacidade expandida graças ao recurso Flow.
Integrações multiplataforma: o poder generativo do Gemini chegou a vários produtos das famílias Google e Android, como o Google Maps, os assistentes inteligentes para dispositivos Android e o Chrome, navegador oficial da companhia.
Panorama de 2025: o que moldou o SEO além da IA
Embora a inteligência artificial tenha conduzido muitas das transformações nas buscas em 2025, ela não foi a única responsável pelos movimentos que acompanhamos nos nossos Relatórios de Altos e Baixos até agora.
Se você vem acompanhando nossos conteúdos, deve ter percebido que o ano também foi marcado por uma série de ajustes técnicos, atualizações algorítmicas e mudanças na SERP (página de resultados de busca) que afetaram diretamente a visibilidade de sites e categorias inteiras.
Até quem não sentiu tanto os impactos da busca generativa precisou lidar com um ambiente mais instável, altamente competitivo e menos previsível. Ao longo dos últimos meses, nossos relatórios registraram picos recorrentes de volatilidade nas SERPs, com muitas alterações nas formas de indexação e exibição dos resultados de pesquisa.
Dá pra dizer que, em 2025, o mundo do SEO foi balançado também por fatores como:
A evolução das SERPs
Ao longo do ano, o Google promoveu uma série de mudanças (algumas explícitas, outras mais sutis) que alteraram a forma como os conteúdos são selecionados e apresentados aos usuários nas páginas de resultados.
As SERPs do maior buscador do mundo deixaram de focar nas clássicas listas de links e se tornaram um ambiente híbridos e profundamente multimodais, onde resultados tradicionais convivem (e competem) com respostas geradas por IA, módulos visuais, carrosséis e experiências interativas.
Outro ponto importante foi o movimento do Google em direção a uma indexação cada vez menos centrada em páginas completas e mais focada em entidades, conceitos e fragmentos de informação.
Na prática, isso significa que os algoritmos vêm dando cada vez mais importância a “pedaços interessantes” das páginas, isto é, trechos capazes de responder diretamente às intenções de busca dos usuários. Vídeos curtos, imagens e outros elementos visuais também ganharam destaque nas SERPs, assim como conteúdo gerado por usuários (UGC).
Por fim, vale mencionar também a remoção ou descontinuação de alguns recursos de SERP baseados em dados estruturados. Ao longo de 2025, o Google reduziu o suporte a determinados rich results, o que impactou diretamente sites que dependiam desses elementos para ganhar destaque entre os resultados.
Atualizações algorítmicas mais fragmentadas, core updates e spam updates
Além de pequenos ajustes técnicos e dos testes contínuos que mudaram a “cara” das SERPs várias vezes em 2025, o ano também contou com algumas atualizações algorítmicas oficiais anunciadas pelo Google, como os core updates de março, junho e dezembro.
Como de costume, essas três atualizações principais vieram para refinar os sistemas de ranking de forma mais profunda, aprimorando a classificação das páginas de acordo com relevância temática, alinhamento com as intenções de busca, qualidade de conteúdo e outros fatores de ranqueamento.
Teve também uma atualização focada especificamente no combate a práticas consideradas manipulativas ou de baixo valor, como o uso excessivo de conteúdo gerado automaticamente e outras táticas de spam. Foi o spam update de agosto, que teve a impressionante duração de quase 27 dias e o objetivo de reforçar as diretrizes oficiais do Google.
Retrospectiva mensal: os momentos-chave do ano com base nos Relatórios de Altos e Baixos da Wesearch
Antes de mergulharmos nas análises das categorias que mais ganharam e perderam visibilidade no último ano, vale a pena revisitar alguns dos momentos que mais agitaram o universo do SEO em cada mês (e que nós cobrimos nos nossos Relatórios de Altos e Baixos!).
É hora de refrescar a memória com os destaques dos nossos reports mensais:
Categorias vencedoras de 2025
Em 2025, algumas categorias conseguiram surfar na onda das mudanças que vêm redefinindo o SEO. São segmentos da web que se beneficiaram dos novos espaços de visibilidade trazidos pela busca generativa ou que demonstraram mais resiliência diante do fenômeno das “buscas sem clique”.
Os dados das categorias vencedoras do ano também revelam padrões importantes sobre o comportamento de busca, a capacidade de gerar engajamento contínuo e configuração cada vez mais multimodal das SERPs. Confira, abaixo, as categorias que registraram as maiores diferenças positivas de tráfego orgânico no comparativo entre janeiro de 2025 e dezembro de 2025.
A seguir, falamos um pouco mais sobre tudo isso e analisamos detalhadamente os fatores por trás do sucesso dos nichos que ganharam força no ano passado.
Redes Sociais e Comunidades Online: os grandes motores de visibilidade orgânica em 2025
Ao longo de 2025, a categoria Redes Sociais e Comunidades Online conquistou destaque entre os rankings de vencedores em vários dos nossos Relatórios de Altos e Baixos. E não foi à toa!
O crescimento revelou uma mudança estrutural na forma como os usuários passaram a buscar, consumir e validar informações na web: as redes sociais se tornaram fontes de informações validadas por interação humana, um ativo precioso na era das IAs.
Além disso, o desempenho da categoria reflete os ajustes algorítmicos que estão por trás de muitas transformações nas SERPs e traz insights valiosos sobre as limitações das experiências de busca generativa, como você está prestes a descobrir.
O avanço das buscas navegacionais e do social searching
O crescimento do segmento Redes Sociais e Comunidades Online esteve diretamente ligado ao aumento contínuo das buscas navegacionais relacionadas às plataformas que compõem a categoria. Em vez de pesquisar por termos genéricos, muitos usuários passaram a buscar diretamente por domínios como Instagram, YouTube, Reddit, TikTok e X (antigo Twitter) para consumir conteúdo, acompanhar discussões ou explorar tendências.
Esse tipo de busca tem uma característica crucial: ela já surge com o objetivo do clique. Diferentemente de consultas informacionais simples (cada vez mais resolvidas na própria SERP por causa dos AI Overviews), as pesquisas de intenção navegacional existem com o propósito de chegar a sites ou páginas específicas. Os usuários procuram por conteúdos como vídeos, comentários, lives, threads, fóruns e oportunidades de interação real, coisas que não podem ser “resumidas” de forma satisfatória por um modelo de IA.
Outro fator determinante foi a consolidação das redes sociais como motores de busca alternativos, especialmente entre públicos mais jovens. Plataformas como TikTok, Instagram e Reddit deixaram de ser apenas canais de entretenimento ou engajamento e passaram a funcionar como ambientes de descoberta ativa, seja para produtos, opiniões, tutoriais ou recomendações.
Embora essas redes muitas vezes atuem como ecossistemas de busca completamente autônomos, os dados revelam que os buscadores tradicionais continuam servindo como “portas de entrada” para acessar perfis, comunidades, hashtags e conteúdos específicos dentro das plataformas sociais.
O resultado é um aumento consistente de tráfego orgânico, tendência que os próprios algoritmos do Google pareceram reforçar em 2025: ao longo dos últimos meses, quem olha pras SERPs com atenção certamente percebeu que conteúdos de redes como Instagram, TikTok e Reddit têm aparecido cada vez mais entre os resultados. Tudo indica que os próprios sistemas de classificação passaram a indexar e exibir mais páginas baseadas em UGC (conteúdo gerado por usuários), justamente para entregar o tipo de conteúdo que os usuários querem encontrar.
A força das comunidades humanas em um cenário de “desconfiança algorítmica”
Em paralelo, 2025 também foi um ano marcado por um certo ceticismo em relação às respostas “prontas” geradas por IA. Em temas mais subjetivos (que envolvem opiniões, experiências reais, recomendações, debates etc), muitos usuários passaram a preferir respostas humanas, mesmo que elas não sigam estruturas tão “organizadas” quanto os resumos automáticos.
Fóruns e comunidades online se beneficiaram diretamente disso. Plataformas como Reddit, por exemplo, ganharam ainda mais protagonismo como espaços de validação social, troca de experiências e aprofundamento de temas que vão além do factual.
Esse tipo de conteúdo conversa muito bem com o que o Google vem tentando priorizar nos últimos anos: experiência real, engajamento genuíno e sinais fortes de utilidade para o usuário.
E o que isso nos ensina para o SEO em 2026?
O desempenho das comunidades online em 2025 deixa um recado importante para quem trabalha com SEO: o valor do clique está cada vez mais ligado à experiência que acontece depois dele.
Conteúdos e plataformas que oferecem interação, experiência humana real e acesso a múltiplos pontos de vista tendem a se sair melhor em um cenário onde o buscador assume o papel de intermediador das informações.
Esportes: o poder da sazonalidade e da interação em tempo real
O segundo lugar no pódio das categorias vencedoras de 2025 ficou para o nicho de Esportes, que teve uma performance fortemente marcada pela sazonalidade e pela concentração de interesse em grandes eventos esportivos.
Diferentemente de outras categorias ganhadoras, o crescimento aqui não foi tão linear ao longo do ano, mas sim atravessado por picos bem definidos de demanda. Entretanto, os números também mostram como a busca por atualizações em tempo real e informações especializadas altamente contextuais conseguiu “blindar” a performance das plataformas esportivas.
Sucesso das plataformas dedicadas
Um ponto-chave para entender a resiliência da categoria Esportes é a natureza do conteúdo que ela engloba: resultados ao vivo, cobertura minuto a minuto, análises pós-jogo e notícias de bastidores não se encaixam bem em experiências “clique-zero”.
As respostas de AI Overviews conseguem responder perguntas simples (“quem ganhou a partida?”, “qual foi o placar?”), mas não substituem a experiência de acompanhar um jogo, ler análises de comentaristas confiáveis, consumir conteúdo multimídia e conferir as opiniões de outros usuários. Isso sem falar na importância da atualização em tempo real, fator crucial para quem acompanha esportes.
Por outro lado, os dados ao longo do ano também mostram quedas previsíveis nos períodos de menor intensidade esportiva. Entre grandes competições, o interesse do público tende a se dispersar, e a categoria entra em fases de normalização do tráfego.
É por isso que, mesmo figurando entre as vencedoras do ano, a categoria Esportes flutuou bastante entre ganhos e perdas (como mostramos nos nossos Relatórios de Altos e Baixos).
Efeito segunda tela: o “casamento” entre Esportes e Redes Sociais
Outro elemento interessante foi a relação próxima entre as redes sociais e os conteúdos esportivos: em 2025, a experiência de acompanhar esportes se tornou cada vez mais multiplataforma. Isso significa que o usuário assiste ao jogo enquanto comenta os lances no X, vê cortes no TikTok, participa de fóruns e busca análises no Google (tudo ao mesmo tempo!).
Esse ecossistema favorece a descoberta de conteúdo esportivo por diferentes caminhos, mantendo o Google como um ponto importante na jornada mesmo que as SERPs não sejam capazes de centralizar o consumo de conteúdo. A integração entre busca, social e conteúdo ao vivo ajuda a explicar por que os sites esportivos preservam um status competitivo no orgânico.
E o que o desempenho do nicho Esportes revela para o SEO?
A performance da categoria Sports em 2025 reforça uma lição clássica, mas cada vez mais relevante: timing é tudo.
Em nichos altamente sazonais, o bom desempenho depende da capacidade de antecipar picos de interesse, estruturar conteúdos evergreen e materiais de apoio (tabelas, históricos, regras etc), trabalhar com dados atualizados e escalar rapidamente a cobertura nos momentos certos.
Apostas e Conteúdo Adulto: crescimento à prova de IAs
As categorias Apostas e Adulto figuram entre as vencedoras de 2025 por motivos profundamente relacionados ao tipo de demanda e ao comportamento do usuário, mais ou menos como o que ocorreu no nicho de Esportes.
Em um ano marcado pela expansão agressiva de recursos baseados em IA, esses dois segmentos se mantiveram firmes justamente por ocuparem espaços que a automação não é capaz de alcançar (tanto por limitações regulatórias e éticas quanto pelo tipo de conteúdo).
Conteúdos que a IA não resume (nem substitui)
Diferentemente do que ocorre em categorias mais informacionais, os sites de Apostas e Conteúdo Adulto não se beneficiam e nem dependem de AI Overviews. Pelo contrário: são temas nos quais o próprio Google tende a limitar respostas automáticas, reduzir a visibilidade em resumos e direcionar o usuário para domínios específicos.
Isso preserva o clique como elemento central da experiência. Aliás, a própria natureza dos conteúdos exige acesso direto a plataformas especializadas, já que o consumo envolve engajamento ou interação com esses domínios.
Demanda recorrente e pouco sensível à sazonalidade
Outro fator-chave do crescimento anual é a constância da demanda. Embora eventos esportivos influenciem a busca por Apostas em momentos específicos, o interesse pelo segmento se mantém relativamente estável ao longo do ano.
Isso cria um cenário favorável para ganhos acumulados de visibilidade, especialmente quando comparado a categorias mais dependentes de datas comerciais, eventos de interesse público ou ciclos de notícias.
Buscas navegacionais e de marca
Assim como no caso das Redes Sociais, uma parte relevante do tráfego em Apostas e Conteúdo Adulto é navegacional. Usuários buscam marcas específicas, plataformas conhecidas ou comunidades recorrentes, reduzindo a dependência de disputa por visibilidade nas pesquisas.
Essa vantagem foi particularmente valiosa em um ano de SERPs mais “fechadas”, no qual conquistar o clique em consultas amplas ou genéricas se tornou mais difícil.
Categorias perdedoras de 2025
Como vimos, algumas categorias da web brasileira encerraram dezembro brindando o sucesso conquistado em 2025… enquanto outras fecharam o ano “no vermelho”.
Em um cenário de SERPs cada vez mais disputadas, buscas sem clique em alta e critérios de qualidade mais rigorosos, nem todos os segmentos conseguiram conservar a visibilidade orgânica. Aqui está o ranking dos cinco nichos com maiores diminuições no tráfego, comparando os dados de janeiro de 2025 e dezembro de 2025:
A seguir, analisamos os nichos que mais perderam tração no comparativo anual (e os aprendizados que eles deixam para quem quer se preparar melhor para o futuro).
Ecommerce e compras: jornadas que não começam na busca
Em 2025, a categoria Ecommerce e Compras aparece entre as grandes perdedoras do ano, um declínio relacionado a múltiplos fatores simultâneos.
O que os dados mostram é uma tendência de transformação das jornadas de compras digitais, movimento no qual o Google deixa, aos poucos, de ser o principal ponto de descoberta de produtos. Em outras palavras, o desempenho do nicho revela uma perda de protagonismo da busca orgânica dentro do funil de conversão.
Descoberta migrando para fora das SERPs
Além de se transformarem em espaços de buscas, as redes sociais também se consolidaram como ambientes de compras em 2025. Plataformas como Instagram, TikTok e YouTube passaram a concentrar etapas que antes pertenciam à pesquisa web tradicional: inspiração, comparação e até decisão de compra.
O usuário vê um produto em um vídeo curto, recebe uma recomendação de um criador ou é impactado por um anúncio altamente segmentado e acaba sendo direcionado à página de compra sem que precise passar por uma busca no Google. É uma tendência conhecida como social shopping.
Esse deslocamento ajuda a explicar por que, mesmo em meses de alta sazonal (como datas promocionais), o crescimento orgânico do ecommerce foi mais limitado do que em anos anteriores.
Qualidade, originalidade e o peso dos spam updates
Em 2025, o Google intensificou o combate a conteúdo duplicado, descrições geradas em massa e páginas pouco diferenciadas, elementos bastante comuns em grandes operações de ecommerce.
Spam updates e ajustes de refinamentos de qualidade afetaram especialmente marketplaces com páginas de produto muito parecidas entre si, sites de cupons com pouco valor agregado e catálogos inflados sem conteúdo útil para o usuário.
Mesmo sem penalizações explícitas, vários desses domínios perderam espaço para resultados considerados mais valiosos pelos mecanismos de classificação do buscador.
Concorrência interna e canibalização de tráfego
Outro elemento relevante e pouco discutido é a concorrência interna dentro do próprio ecossistema do Google: recursos como Google Shopping, resultados enriquecidos de produtos e anúncios cada vez mais integrados às SERPs ocupam espaços que antes pertenciam aos resultados orgânicos.
Para os sites da categoria ecommerce, isso significa ainda mais complexidade na disputa pela atenção dos usuários, especialmente em buscas transacionais.
E o que essa queda nos ensina sobre SEO?
A performance negativa do nicho não indica que SEO deixou de funcionar para o varejo digital, mas sim que o papel dos canais de comunicação precisa ser revisto.
Se a pesquisa web deixou de ser o principal motor de descoberta para produtos, as estratégias capazes de integrar mídias sociais, publicidade paga e branding se tornaram indispensáveis. É preciso mergulhar nas novas jornadas percorridas pelos consumidores para entender onde, quando e por que o usuário busca.
Materiais de Referência: grandes fontes que viraram insumo para respostas automáticas
A categoria de Materiais de Referência também se destacou entre as perdedoras do ano. Mas, ao contrário do que muita gente imagina, esse resultado não deve ser interpretado como uma perda de relevância das grandes fontes de informação reconhecidas.
Aliás, é justamente o contrário: o que os dados indicam é uma mudança no papel que esse tipo de conteúdo passou a ocupar dentro do ecossistema da busca. Sites enciclopédicos, dicionários, glossários e bases de referência continuam sendo extremamente utilizados, mesmo que venham recebendo cada vez menos cliques.
O auge do zero-click para pesquisas informacionais
Materiais de referência são a “matéria-prima perfeita” para respostas automáticas: definições, conceitos, datas, significados e explicações objetivas são exatamente o tipo de conteúdo que os AI Overviews conseguem entender e resumir com eficiência. Por isso, os sites da categoria são frequentemente usados como referências informacionais nos resumos generativos.
Como consequência, muitas consultas que antes levavam o usuário a clicar em uma página de um site como Wikipedia, por exemplo, passaram a ser completamente resolvidas na SERP. O resultado é uma redução drástica do tráfego orgânico, mesmo quando os sites continuam ranqueando bem.
Esse é um dos exemplos mais claros do fenômeno conhecido como “grande desacoplamento”: na Era das IAs, estar em destaque nas páginas de resultados não se converte mais automaticamente em visitas.
Fontes preferenciais… mas invisíveis
Outra tendência aparentemente paradoxal observada em 2025 é que muitos sites de Materiais de Referência se tornaram ainda mais importantes para o Google, mas menos visíveis para os usuários.
Enciclopédias e dicionários frequentemente aparecem como fontes citadas nas AI Overviews ou referências implícitas em painéis de conhecimento, mas essas citações nem sempre se traduzem em tráfego. O conteúdo é consumido, mas o site deixa de ser o destino final.
O que a queda dos Materiais de Referência revela sobre o SEO em 2025?
A performance negativa da categoria não aponta para o fim desse tipo de conteúdo informacional, mas para uma mudança de função: os domínios deixaram de ser protagonistas da experiência de busca e passaram a atuar como partes da infraestrutura invisível da IA.
Isso também mostra como o conteúdo puramente factual é vulnerável ao clique-zero. Para quem deseja se destacar com páginas de natureza informacional, é importante ir além da definição, oferecendo análises, exemplos de aplicações práticas, cases reais, opiniões especializadas e outros elementos que não possam ser totalmente absorvidos em um resumo automático.
Notícias e Mídia: as novas formas de acessar e consumir informações
À primeira vista, a queda da categoria Notícias e Mídia pode despertar confusão. Parece contraditório mesmo: nunca se consumiu tanta informação, nem se produziu tanto conteúdo jornalístico… então o que explicaria o declínio desse segmento?
Tudo indica uma mudança na forma como as notícias são descobertas, consumidas e distribuídas nos meios digitais. De fato, as informações continuam surgindo em grandes volumes, e o interesse por elas não diminuiu. Só que, agora, o consumo é mediado por vários fatores que afetam a visibilidade orgânica dos portais.
O “jornal da SERP”
Ao longo de 2025, o Google avançou de forma decisiva na transformação da SERP em um espaço de consumo direto de notícias. AI Overviews, painéis informativos, destaques de contexto e carrosséis temáticos se tornaram mais eficientes nas missões de resumir acontecimentos em tempo real, reunir múltiplas fontes de informação em uma única resposta e responder a dúvidas pontuais sobre eventos de interesse público.
Para o usuário, isso é sinônimo de conveniência. Para veículos de mídia, significa perda de tráfego mesmo quando o conteúdo é fonte primária da informação (assim como o que ocorre com o nicho Materiais de Referência).
Além disso, na última década, os veículos de mídia tradicionais passaram a disputar atenção com redes sociais e comunidades online, creators especializados, newsletters e formatos proprietários. Em outras palavras, cada vez mais gente prefere ficar por dentro do que está acontecendo no mundo sem abrir sites de notícias especializados.
E quais são os insights que esse movimento nos traz?
A performance negativa da categoria Notícias e Mídia não indica que os materiais de natureza jornalística estejam perdendo relevância. É um sinal de uma mudança profunda na cadeia de valor da informação.
Em buscadores que frequentemente já cumprem o papel de informar os usuários, o clique deixou de ser o centro da experiência. Para veículos de mídia, o desafio passa a ser construir relacionamentos diretos com os usuários, fortalecer o reconhecimento de marca, investir em formatos multimodais e oferecer análises exclusivas ou experiências que não possam ser totalmente resumidas por IA.
Saúde: o impacto dos novos padrões de exigência dos algoritmos
Ao longo do ano, os sites da categoria Saúde figuraram entre os maiores perdedores de tráfego orgânico, movimento explicado por uma combinação complexa de fatores estruturais, regulatórios e algorítmicos.
Erros custam caro quando o assunto é saúde… e os algoritmos do Google levaram isso a sério em 2025.
Rigor aumentado em buscas YMYL
Os sites do nicho de Saúde são, por definição, pertencentes à classificação conhecida como YMYL (Your Money, Your Life). Criada pelo Google, a sigla representa o conceito de que certas páginas e conteúdos podem impactar seriamente a vida financeira, a integridade física ou a segurança dos usuários quando trazem informações imprecisas.
Por isso, conteúdos Your Money, Your Life (“seu dinheiro, sua vida”) sempre foram avaliados de maneira mais rigorosa pelos mecanismos de classificação do buscador. Em 2025, esse nível de exigência subiu ainda mais, redobrando a cautela necessária para sites que trazem:
Informações sobre sintomas, diagnósticos e tratamentos;
Sugestões sobre comportamentos, hábitos e mudanças no estilo de vida;
Assuntos ligados à saúde mental, a doenças crônicas ou a condições sensíveis.
Na prática, isso se traduziu em menos tolerância a conteúdos genéricos, superficiais ou produzidos sem respaldo claro de especialistas. Assim, mesmo sites bem posicionados historicamente acabaram sofrendo quedas, por não atenderem inteiramente aos critérios de autoridade, confiabilidade e originalidade.
IA generativa e saúde
Depois do início polêmico e de um período de recuo, a inteligência artificial do Google voltou a aparecer com frequência nas buscas relacionadas à saúde. Em 2025, os AI Overviews avançaram na entrega de explicações gerais sobre condições médicas, informações educacionais e preventivas, orientações de alerta etc.
Dessa forma, os resumos automáticos passaram a responder dúvidas básicas (“o que pode causar…”, “quais são os sintomas comuns…”) diretamente na SERP, reduzindo drasticamente o tráfego para conteúdos informativos dessa natureza. Portanto, a categoria Saúde tem sofrido com os impactos do fenômeno zero-clique.
Autoridade institucional versus produção em escala
Os dados do ano também escancararam a hierarquia clara de classificação dos conteúdos na categoria Saúde. Os domínios que concentraram mais visibilidade relativa foram os portais pertencentes a órgãos oficiais e governamentais, instituições de pesquisa, hospitais e entidades reconhecidas internacionalmente.
Por outro lado, sites focados em produção massiva de conteúdo (muitas vezes apoiados em material gerado por IA) enfrentaram perdas relevantes, mesmo quando traziam informações tecnicamente corretas.
Conclusão: o que 2025 nos ensinou sobre SEO e o que esperar para 2026
Pois é, 2025 trouxe vários desafios novos para quem trabalha com SEO. Esse ano deixou claro que o papel das buscas web mudou: hoje em dia, o Google não é mais um “agregador de resultados”.
Diante disso, vale repetir o que já dissemos por aqui: o SEO definitivamente não está morto, mas está passando por uma reconfiguração profunda. A busca ficou mais seletiva, mais interpretativa e mais orientada a resolver intenções completas. Nesse cenário, conteúdos genéricos, páginas focadas apenas em dados objetivos e estratégias excessivamente dependentes de volume perderam espaço.
Em 2026, o desafio de quem investe em SEO ganha uma nova camada de complexidade estratégica. Agora, é preciso entender como criar ativos de conteúdo que sobrevivam em um ecossistema onde a visibilidade não depende só do ranking, mas do valor percebido (tanto pelo usuário quanto pelos sistemas de IA que mediam as interações).
É com esse olhar que a Wesearch entra no próximo ano: por aqui, a gente continua acompanhando de perto cada uma das transformações nas buscas, analisando dados com uma abordagem especializada, conectando sinais e testando hipóteses, tudo pra ajudar marcas e profissionais de SEO a navegarem pela nova era da web.
Esperamos por você nos próximos capítulos dessa história!



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